Folhagem de Cannabis sativa em estufa de pesquisa

Ciência

O que a evidência segura. O que ainda é tese.

Página escrita para prescritor e gestor, não para anúncio. Fontes: Manual MSD, Revista Brasileira de Psiquiatria (2012) e protocolos do CFM.

Mapa da evidência

MSD, versão para a família: “O único uso de CBD que, de modo geral, é reconhecido como sendo seguro e eficaz é no tratamento de determinados distúrbios convulsivos.” O restante desta página existe para não vender o contrário.

IndicaçãoQualidadeFonte
Epilepsia refratáriaForteMSD; CFM 2.113/2014
Espasticidade na EM (spray bucal)Sinal clínicoMSD
Ansiedade / TASPreliminarSchier et al., RBP 2012
Abstinência de opioide, psicoseEstudos pequenosMSD
Dor, sono, Crohn, bipolaridade, diabetesNão confirmadoMSD

Evidência forte

Epilepsia refratária

Três ensaios com produto puro de CBD, só sob prescrição, reduziram número, frequência e gravidade das crises em 14 semanas, em adultos e crianças, junto com outros anticonvulsivantes.

O CFM, na Resolução 2.113/2014, autorizou uso compassivo em crianças e adolescentes com epilepsia resistente: falha de dois FAEs tolerados, critério ILAE. CBD em adição à medicação prévia. Titulação: 2,5 mg/kg/dia até 25 mg/kg/dia.

Evidência preliminar

Ansiedade e o resto

Schier e cols., RBP 2012: CBD atenuou ansiedade induzida por THC (desde 1982), reduziu ansiedade em simulação de falar em público e em pacientes com TAS. Doses orais de 300, 400 e 600 mg em voluntários. Mecanismo apontado: 5-HT1A. Sem efeito psicoativo típico do THC.

Curva em U invertido em modelo animal: 2,5 a 10 mg/kg funcionaram; 20 mg/kg não diferiu do controle. Dose alta pode piorar via TRPV1. Os autores pedem ensaio clínico em pânico, TOC, TAS e TEPT. Não pedem catálogo comercial.

“Estudos com modelos animais de ansiedade e envolvendo voluntários saudáveis sugerem claramente que o CBD possui efeitos ansiolíticos.”

Schier et al., Rev Bras Psiquiatr. 2012. Chamado explícito a ensaios em pacientes, não a funil de venda.

Segurança

Efeitos graves são raros e o CBD provavelmente é seguro para a maioria das pessoas, diz o MSD. “Provavelmente” não é “para todo mundo, sem médico”.

Comuns

Boca seca, hipotensão, diarreia, menor apetite, alteração de humor, tontura, sonolência.

Graves

Lesão hepática, sobretudo sem supervisão. Contaminantes (solventes, agrotóxicos, metais, bactérias, fungos). Dose alta pode piorar tremor no Parkinson.

Quem não deve

Gestante, lactante, hepatopata sem ajuste, Parkinson em dose alta, homem que planeja paternidade (sinal em estudo animal: espermatozoide e tamanho testicular).

Interações, CYP450

CBD acelera ou retarda a quebra de outros fármacos. O CFM pede nível plasmático de anticonvulsivantes, enzimas hepáticas e hemograma antes e durante o uso. Citocromos 3A, 2C, 1A, 2D6 e 2B.

Sobe a concentração de CBD

Clobazam, carbamazepina, topiramato, brivaracetam, everolimo, tacrolimo, metadona, amitriptilina, varfarina, omeprazol, lítio, nicotina, cetamina.

Outras interações

Desce CBD: fenitoína, rifampicina. CBD pode subir levotiroxina, varfarina e alguns anticonvulsivantes. Risco hepático maior com ácido valproico. Sonolência excessiva com benzodiazepínico, fenobarbital, morfina, álcool.

O rótulo informal mente

MSD cita estudo em que só 31% dos produtos de CBD tinham o rótulo certo. 43% tinham mais CBD do que o declarado. THC não declarado apareceu em 21%. Hepatopata precisa de dose menor. Por isso esta casa não trata “óleo de CBD” genérico como medicamento.